O câncer do colo do útero permanece como um relevante problema de saúde
pública, especialmente em países em desenvolvimento. Embora o rastreamento
por meio do exame citopatológico seja prioritariamente indicado para mulheres
de 25 a 64 anos, observa-se, na prática clínica, sua ampla realização em
mulheres mais jovens. Diante desse contexto, este estudo teve como objetivo
identificar a ocorrência de alterações celulares cervicais em mulheres de 18 a 24
anos por meio do exame de Papanicolau. Trata-se de uma pesquisa
epidemiológica, transversal, descritiva e quantitativa, desenvolvida na Unidade
Básica de Saúde (UBS) Clara da Mota e Silva, em Gurupi–TO. Foram analisados
150 exames citopatológicos registrados no período de julho de 2020 a julho de
2025, por meio do Sistema de Informação do Câncer (SISCAN), respeitando os
preceitos éticos vigentes. Os resultados demonstraram que 91,33% dos laudos
apresentaram-se dentro da normalidade, enquanto 8,67% exibiram algum tipo
de alteração, incluindo lesões intraepiteliais de baixo e alto grau, além de
amostras insatisfatórias. A baixa prevalência de alterações significativas reforça
as evidências científicas de que, nessa faixa etária, predominam infecções
transitórias pelo Papilomavírus Humano (HPV), com alta taxa de regressão
espontânea. Conclui-se que o rastreamento precoce pode gerar mais riscos do
que benefícios, evidenciando a necessidade de alinhamento das práticas
assistenciais às diretrizes nacionais, além da educação permanente dos
profissionais de saúde.
MACIEL, J. P. F. TESTE DE PAPANICOLAU: A DETECÇÃO DE ALTERAÇÕES CELULARES CERVICAIS NAS FAIXAS ETÁRIAS NÃO PRIORITÁRIAS. UNIRG - UNIVERSIDADE DE GURUPI - 2025. Disponível em https://repositorio.unirg.edu.br/documento/437. Acesso em 10/10/2026.