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ARTIGO CIENTÍFICO

AFETO COMO NOVO PATRIMÔNIO: IMPLICAÇÕES JURÍDICAS DA PATERNIDADE SOCIOAFETIVA

Data de aprovação: 01/01/2026
Curso: Direito
Resumo

O reconhecimento jurídico da paternidade socioafetiva constitui uma das mais relevantes transformações do Direito de Família contemporâneo, ampliando o conceito de filiação para além dos vínculos biológicos. Nesse contexto, a obrigação alimentar passou a ser estendida às relações fundadas na convivência e no afeto, permitindo que indivíduos que assumiram funções parentais sejam responsabilizados pelo pagamento de alimentos mesmo na ausência de parentesco consanguíneo. O presente estudo analisa o fenômeno da patrimonialização do afeto decorrente desse reconhecimento jurídico, investigando suas implicações jurídicas e seus efeitos sociais no ordenamento brasileiro. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza dogmático-jurídica, baseada na análise legislativa, doutrinária e jurisprudencial, especialmente a partir da interpretação do art. 1.593 do Código Civil, do Enunciado 103 do CJF/STJ e do Tema 622 do Supremo Tribunal Federal. A análise evidencia que, embora a extensão dos efeitos patrimoniais à filiação socioafetiva represente importante instrumento de proteção de crianças e adolescentes inseridos em famílias formadas pela convivência, também suscita desafios relevantes, como a patrimonialização das relações afetivas, a insegurança jurídica decorrente da ausência de critérios objetivos e a ampliação da judicialização das relações familiares. Conclui-se que a construção de parâmetros interpretativos mais claros — especialmente quanto à voluntariedade na assunção do vínculo parental, à proporcionalidade na definição das obrigações patrimoniais e à vedação ao enriquecimento sem causa — revela-se fundamental para equilibrar a proteção dos vínculos familiares genuínos com a preservação da espontaneidade das relações afetivas.

Orientadores
  • Leonardo Guimarães Tôrres
Como referenciar

LIRA, R. H. L.. AFETO COMO NOVO PATRIMÔNIO: IMPLICAÇÕES JURÍDICAS DA PATERNIDADE SOCIOAFETIVA. UNIRG - UNIVERSIDADE DE GURUPI - 2026. Disponível em https://repositorio.unirg.edu.br/documento/415. Acesso em 11/07/2026.